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Por que as versões em espanhol de músicas são diferentes?

Por que as versões em espanhol de canções em inglês são tão diferentes? Vamos dar as respostas.

Quando uma música se torna um fenômeno global, frequentemente acontece que um produtor musical astuto decide que ela também pode soar bem em outros idiomas. Um exemplo é a quantidade de faixas que foram traduzidas do inglês para o espanhol; mas isso não significa que a versão em espanhol seja literalmente igual à original.

Vamos ver um exemplo: My Way, a canção imortal cantada por Sinatra, diz “And now, the end is near/ And so I face the final curtain”, mas em espanhol, a versão cantada pelo popular Raphael diz “The end is drawing near/ I will wait for it serenely”. A primeira linha é mais ou menos a mesma... mas a segunda não tem nada a ver com ela!

Outro exemplo: Bed of Roses, do Bon Jovi, diz “I want to lay you down in a bed of roses”; mas em sua versão em espanhol, o cantor de New Jersey disse “I want to have your love between wine and roses”. Ok... por alguma razão obscura, a cama de rosas foi substituída por um copo de vinho... assumimos que era vinho espanhol.

Por que isso acontece? Em primeiro lugar, teríamos que culpar o metro e o ritmo. Uma frase traduzida literalmente do espanhol para o inglês raramente tem o mesmo número de sílabas, e isso afetaria o ritmo. Um exemplo rápido com a música tema da série “Friends”: “I’ll be there for you” tem seis sílabas; mas sua tradução “Ahí estaré para ti” tem sete, então não caberia na música. Nesse caso, se fôssemos o tradutor, poderíamos optar por “Siempre estaré aquí” que, embora não seja uma tradução literal, significa algo semelhante e ainda fala da lealdade entre amigos.

Outra questão é por que a tradução se torna necessária. Alguns produtores parecem partir do pressuposto de que nós, falantes de espanhol, não entendemos inglês e precisamos cantar algo que compreendamos. Bem... esse não é o caso: falantes de espanhol podem cantar “Sympathy for the Devil” em inglês do começo ao fim e sabem perfeitamente que, pela boca de Mick Jagger, um elegante Lúcifer nos fala, justificando seus atos.

É verdade que, no passado, os títulos das músicas eram traduzidos para que o público espanhol tivesse alguma ideia do que as letras diziam. Nos anos 60 e 70, “Black Betty”, “More than a Feeling” ou “(Sittin’ on) The Dock of the Bay” eram transmitidas no rádio em suas versões originais, mas o locutor referia-se a elas como “Betty la negra”, “Más que un sentimiento” ou “Sentado en el muelle de la bahía”; no entanto, nunca foi necessário traduzir as letras propriamente ditas.

Outra coisa bem diferente é a “reinterpretação”: há bandas espanholas que fizeram covers de grandes clássicos, tornando-os seus ao acrescentar suas próprias mensagens... e até transformando-os em grandes clássicos por si só! Dois exemplos vêm à mente: M-Clan (uma banda espanhola) com sua “Llamando a la Tierra”, uma magnífica reinterpretação de “Serenade” do Steve Miller Band, ou o curioso caso da versão estremecedora do poema de Edgar Allan Poe “Annabel Lee” feita pela banda “Radio Futura” nos anos 1980.

A propósito, o que você prefere? Você gostaria que sua música favorita fosse traduzida literalmente, ou prefere receber a mesma mensagem mesmo que ela fale sobre algo diferente?