Blog
Perguntas frequentes sobre a Semana Santa na Espanha
A Semana Santa na Espanha é fascinante, mas também enigmática. Respondemos a várias perguntas frequentes sobre essa tradição.
A emblemática Semana Santa espanhola está chegando. São dias de grande cerimonial e solenidade; mas também de muitas perguntas.
Embora alguns acreditem que parte do encanto dessas datas esteja em seu caráter misterioso, críptico, quase iniciático, surgem dúvidas que, acreditamos, precisam ser respondidas para que possamos compreender melhor esse fenômeno que tanto fascina nossos visitantes.
Por que a data da Semana Santa muda todos os anos?
Isso ocorre porque sua celebração segue o calendário lunar. Na noite em que os judeus conseguiram sair do Egito havia lua cheia. Assim, ocorreria no dia 15 do mês hebraico de Nisan (lembre-se de que o calendário hebraico é regido pelas fases da lua). Jesus teria celebrado sua Última Ceia precisamente na noite da Páscoa judaica; dessa forma, devido à mobilidade do calendário lunar em relação ao que usamos hoje — criado a partir do calendário solar romano (ou juliano) — a data varia. Atualmente, para simplificar os cálculos, considera-se que a Páscoa cristã é o domingo seguinte à primeira lua cheia que sucede o equinócio da primavera no hemisfério norte.
Há quanto tempo ela é celebrada?
Não se preocupe se a regra mencionada acima lhe parecer complicada; também o foi para os primeiros cristãos. Praticamente cada congregação estabeleceu seus próprios cálculos, por isso tornou-se necessário unificar os critérios. Isso ocorreu durante o Concílio de Nicéia no ano 325, mas a recomendação só foi aceita pelas diversas igrejas do mundo no ano 525.
Qual é a Semana Santa mais antiga da Espanha?
A Semana Santa espanhola cujos eventos foram registrados mais cedo é a de Medina del Campo (Valladolid). Os registros mais antigos relativos à celebração datam de 1411. Naquela época já se celebrava de maneira muito semelhante à de hoje.
Por que se realizam procissões?
As procissões não ocorrem apenas no âmbito cristão. Em civilizações antigas já eram organizadas como uma forma de culto público a certos deuses. Os primeiros cristãos adaptaram esse costume primeiro carregando mártires pelas ruas e depois representando o caminho que Jesus percorreu rumo ao monte onde seria crucificado. Curiosamente, menciona-se que na cidade romana de Itálica (em Sevilha) já se carregava em procissão uma imagem da deusa Ísis.
Por que se usam tantas imagens e esculturas?
Em uma era em que poucas pessoas sabiam ler, as imagens de diferentes Cristos e Virgens serviam para explicar diferentes episódios do Evangelho, especialmente os da Paixão. Sabendo disso, podemos dizer que, numa procissão, vemos um momento específico da vida de Jesus. Com o tempo, essas imagens ganharam destaque por si mesmas, gerando a devoção das várias irmandades (cofradías).
Por que os penitentes usam um "capirote"?
O capirote é aquele chapéu cônico com máscara que cobre a cabeça de muitos penitentes espanhóis nas procissões. Não se sabe ao certo por que essa peça é usada, embora existam duas teorias principais: alguns pensam que os chapéus pontudos representam as almas dos crentes subindo ao céu e que a máscara representa o fato de que, diante de Deus, somos todos iguais. Outros acreditam que seja um resquício da época da Inquisição, que obrigava muitos pecadores a desfilar pelas ruas vestindo uma peça chamada “sambenito”, muito semelhante aos hábitos dos penitentes atuais.
Por que os doces típicos espanhóis desta época são tão “pesados”?
Façamos uma rápida revisão das confeitaria típica dessas datas: torrijas (pão embebido em leite e frito), pestiños (massa frita com mel ou açúcar), buñuelos (bolinhos de massa frita), as tradicionais monas de pascua (bolos assados com um ovo)... todas essas especialidades são substanciais e ricas em calorias; mas também estão entre as mais antigas. Sim, as duas coisas estão relacionadas: na época em que foram criadas, a Semana Santa era um tempo de estrita abstinência, o que significava que quase nada se comia durante o dia, por isso era necessário consumir alimentos que não quebrassem as proibições e que, além disso, saciassem o estômago por todo o dia. E o que é melhor do que doces dourados assados ou fritos, embebidos em mel ou açúcar?
Estas são as respostas àquelas perguntas sobre essas datas que ficam em nossas cabeças. Dizemos a verdade: não são apenas perguntas que intrigam visitantes estrangeiros, mas também os próprios espanhóis. Assim, você sempre pode passar por um grande especialista quando participar das comemorações. Ah! E se quiser saber mais sobre a Semana Santa espanhola, não hesite em consultar a Internet; você encontrará fatos muito interessantes.