Blog
Lope de Vega: O mestre do teatro do Século de Ouro espanhol
Lope de Vega: O mestre do teatro do Século de Ouro espanhol
Lope de Vega
Lope de Vega é considerado um dos maiores escritores espanhóis que já existiram, superado apenas por Cervantes. Foi um prolífico poeta, romancista e dramaturgo, produzindo vários milhares de obras, e é particularmente famoso por revolucionar o teatro espanhol do século XVII, afastando-o das regras estritas que governavam o gênero em períodos anteriores.
Biografia de Lope de Vega
Nascido em 1562 em Madrid, em uma família bastante modesta, ele mostrou talento desde muito jovem. Foi notado já aos cinco anos por suas habilidades avançadas, como conseguir ler e falar tanto espanhol quanto latim. Aos 10 anos já traduzia versos latinos e, aos 12, havia escrito sua primeira obra teatral. Quando Lope de Vega tinha 14 anos, foi matriculado no Colegio Imperial, onde seus talentos foram observados por um padre, que achou que suas aptidões eram boas o bastante para enviá‑lo à Universidade de Alcalá. Lá, quase se tornou sacerdote, mas não estava muito inclinado ao celibato que isso exigia.
Seu caso de amor começou com Elena Osorio, embora algum tempo depois ela tenha mudado de ideia e escolhido outro homem. Isso foi, obviamente, bastante traumático para Lope e ele foi exilado por oito anos devido aos seus ataques contra ela e sua família. Durante esse tempo alistou‑se na Marinha espanhola e casou‑se, o que é bastante produtivo nos termos de qualquer um! O navio ao qual foi designado seguia para servir na Armada espanhola, e Lope de Vega teve extrema sorte: seu navio foi um dos poucos que retornaram daquela desastrosa escapada para a Espanha. Ele então passou alguns anos vivendo em Valência, recomeçando sua carreira literária. Quando seu exílio terminou, dirigiu‑se direto a Toledo, pois lhe haviam oferecido um emprego como secretário do duque de Alba. Durante esse período escreveu vários sonetos; mais adiante compôs algumas de suas melhores obras nos anos 1600.
Em seus últimos anos, seu trabalho assumiu um tom muito mais religioso, e em 1614 ele tornou‑se sacerdote. No entanto, seu desejo por mulheres ainda persistia e acredita‑se que lhe foram fornecidas muitas jovens para mantê‑lo satisfeito e trabalhando como secretário do duque. Uma série de tragédias então ocorreu na vida de Lope de Vega, principalmente a morte de seu filho Lope e o sequestro de sua filha Antonia. Lope de Vega ficou acamado e morreu em 1635 de escarlatina.
Estilo e obras
Como mencionamos acima, Lope de Vega escreveu uma enorme quantidade de obras literárias, incluindo mais de 3000 sonetos, 1900 peças de teatro, centenas de comédias e uma grande coleção de poemas, romances e novelas. Frequentemente foi criticado por favorecer quantidade em detrimento da qualidade, mas entre as milhares de obras cerca de 80 se destacam como verdadeiras obras‑primas literárias. Contudo, em termos de gêneros e temas dentro desses domínios, Lope de Vega tinha seu próprio modo de escrever.
Uma das principais características das obras de Lope de Vega é o fato de que tudo gira em torno da trama. Em muitos casos, ele toma elementos e eventos sobretudo da história da Espanha. Suas peças mais famosas, entretanto, enquadram‑se no título de peças 'de capa e espada', nas quais a história trata sempre de um amor complicado por diversos enredos, como a honra da baixa nobreza na Espanha. Seu objetivo principal era divertir e entreter seu público, o que reflete a época em que viveu, quando o teatro se tornava um passatempo cada vez mais popular entre as massas.
É esse desejo de agradar o público que impulsionou Lope de Vega e, de fato, o levou a escolher especialmente a escrita dramática. Ele também utilizava uma ampla gama de referências para acrescentar às suas cenas dramáticas, como a Bíblia, mitologia da antiguidade, santos, a história antiga e a história espanhola, lendas da Idade Média, as obras de escritores italianos, eventos correntes e a vida cotidiana na Espanha durante o século XVII. Desenvolveu também seus personagens muito mais do que autores anteriores haviam feito.